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Essas fotos foram feitas na Chácara do Gallo entre os dias 2 e 5 de novembro e, para traduzí-las transcrevi um poema de Manoel de Barros.
Obrigada pela visita......................................................CarlaZ*
GRATUIDADE DAS AVES E DOS LÍRIOS (MANOEL DE BARROS)
Sempre que as gratuidades pousam em
minhas palavras, elas são abençoadas
por pássaros e lírios.
Os pássaros conduzem o homem para o azul,
para as águas, para as árvores e para o amor.
Ser escolhido por um pássaro para ser a árvore dele:
eis o orgulho de uma árvore.
Ser ferido de silêncio pelo vôo dos pássaros: eis o
esplendor do silêncio.
Ser escolhido pelas garças para ser o rio delas:
eis a vaidade dos rios.
Por outro lado, o orgulho dos brejos é
o de serem escolhidos
por lírios que lhes entregarão a inocência.
(Sei entrementes que a ciência faz cópia de ovelhas
Que a ciência produz seres em vidro
Louvo a ciência por seus benefícios à humanidade
Mas não concordo que a ciência não se aplique em produzir encantamentos.)
Por quê não medir, por exemplo, a extensão do exílio
das cigarras? Por quê não medir a relação de amor
que os pássaros têm com as brisas da manhã?
Por quê não medir a amorosa penetração das
chuvas no dentro da terra?
Eu queria aprofundar o que não sei, como fazem os cientistas,
mas só na área dos encantamentos.
Queria que um ferrolho fechasse o meu silêncio,
para eu sentir melhor as coisas increadas.
Queria poder ouvir as conchas quando elas
se desprendem da existência.
Queria descobrir por quê
os pássaros escolhem a amplidão para viver
enquanto os homens escolhem ficar encerrados em suas paredes?
Sou leso em tratagem com máquina;
mas inventei, para meu gasto, um Aferidor de Encantamentos.
Queria medir os encantos que existem nas coisas sem importância.
Eu descobri que o sol, o mar, as árvores e os arrebóis
são mais enriquecidos pelos pássaros do que pelos homens.
Eu descobri, com o meu Aferidor de Encantamentos,
que as violetas e as rosas e as acácias
são mais filiadas dos pássaros do que dos cientistas.
Porque eu entendo, desde a minha pobre percepção,
que o vencedor, no fim das contas,
é aquele que atinge o inútil dos pássaros
e dos lírios do campo.